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Começou agora

Os sete agentes da mudança convidados se apresentaram numa sintonia incrível, trazendo à série de palestras uma marca que claramente os unia: a prática da sustentabilidade.

A platéia aproveitou a segunda parte do evento para levantar discussões que abordaram da desigualdade social ao preço dos alimentos orgânicos. Cada um dos sete palestrantes falou da sua experiência, num evento que almejou não terminar no fim das palestras, mas, pelo contrário, começar exatamente aí, quando as pessoas voltam à vida diária e convivem com a constante possibilidade de causar impactos positivos a ser sentidos mundo afora.

O próximo 7×7 já está sendo organizado e contamos com a ajuda de todos para realizarmos um evento ainda melhor. Caso queira sugerir nomes de pessoas que você gostaria de ver no próximo evento (ou outros quaisquer palpites), entre em contato através do seguinte e-mail: relacionamento@sevenidiomas.com.br.

Contatos dos 7

Arianne Brianezi: arianne@institutoroma.org.br
Arthur Simões: arthursimoes@gmail.com
Fábio Woody: woody@escolaaha.com.br
Maria Piza: maria.piza@the-hub.net
Paulo Farine: prfarine@gmail.com
Sonia Tamburro: insterceirosetor@hotmail.com
Steven Beggs: steven@sevenidiomas.com.br

Jovem inspirado

O PAULO FARINE participou da Escola de Guerreiros Sem Armas, que o levou a ser um dos iniciadores do Oásis Santa Catarina (o Oásis é um projeto que visa impulsionar ações na prática, como o auxílio para desabrigados nas enchentes e a revitalização de espaços públicos.)

“Desde os 14 anos de idade eu já participava de iniciativas sociais com a minha turma de amigos. Mas foi na faculdade que eu entrei de cabeça na onda da sustentabilidade. No primeiro ano de Administração vivi um momento forte de reflexão sobre a vida, sobre meu propósito no mundo e sobre organizações. Inspirado por histórias de grandes empreendedores sociais e por frases que encontrava na internet de Chaplin, Gandhi, Aristóteles e Saint-Exupéry, por exemplo, comecei um processo de descoberta da minha contribuição para o mundo e de construção do meu sonho. Ao mesmo tempo em que diversas ideias surgiam, queria colocar as coisas em prática já, queria ser a diferença. Foi aí que comecei a pesquisar o que os jovens da minha idade estavam fazendo de mais inovador pelo mundo. Utilizei o Orkut e o Msn para entrar em contato com quem me inspirava e perguntava na cara dura como eles faziam, quais eram os desafios que enfrentavam e pedia dicas de como eu poderia atuar.”

“Conheci uma organização de jovens chamada Peace Child International que tinha a missão de ‘empoderar jovens para serem a diferença que gostariam de ver no mundo’. Era exatamente o que eu procurava. Eles foram minha grande inspiração. Foi assim que dei o primeiro passo ao criar o Núcleo de Responsabilidade Social e Sustentabilidade (NRS) na empresa júnior da minha faculdade. A gente começou a experimentar de tudo. Realizava ações pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, dava oficinas de empreendedorismo e o foco era ‘youth-led development’ (desenvolvimento liderado por jovens), conceito criado pela Peace Child. Entrei em várias redes globais relacionadas ao tema e quando vi já estava completamente envolvido. Acordava todos os dias empolgado para fazer coisas, pesquisar, aprender mais, conversar com os professores que apoiavam e na medida em que as coisas davam certo eu me motivava a fazer ainda mais. Comecei a ser convidado para participar de eventos no Brasil e no exterior contando minha experiência e nessa andança conversava com as pessoas, queria saber o que elas estavam sonhando e o que estavam fazendo para mudar o mundo. Assim eu ia aprimorando o trabalho que eu havia começado.”

“Em janeiro de 2009 fui selecionado para participar do Programa Guerreiros Sem Armas que reuniu 40 jovens de 17 países para viver um desafio de 30 dias em 3 comunidades da baixada Santista. O programa capacita jovens que decidem assumir a responsabilidade por liderar processos de mudança no mundo. Com um processo de aprendizagem focado na prática, as atividades incluíam jogos da pedagogia indígena, capacitação em metodologias como o World Café, Open Space, Jogos Cooperativos, Comunicação Não-Violenta, Danças Circulares, mutirão e temas como o olhar apreciativo e redes distribuídas. Foi nesse programa que participei do Oasis pela primeira vez e participei da co-criação do movimento Oasis Santa Catarina e me tornei animador da rede Oasis Mundi.”

“O Jogo Oasis é uma metodologia desenvolvida pelo Instituto Elos que reúne um grupo de pessoas de um determinado local para desenhar sonhos coletivos e partir para a mão-na-massa de forma divertida e desafiante. Para mim o Oasis é um processo que acolhe a sabedoria coletiva de uma comunidade/grupo de pessoas e a direciona para a ação. Há muitos jovens que sonham em fazer a diferença, mas muitas vezes não encontram estímulos suficientes para atuar ou não se sentem confortáveis para dar os passos sozinhos. O Oasis apresenta tarefas simples para que qualquer pessoa em qualquer lugar possa montar um time e realizar algo coletivamente. Muitas vezes a gente não age por achar que não temos recursos suficientes, ou por esperar que alguém faça algo por nós, ou por medo de errar, medo de não dar conta, de não saber o que fazer. Ao participar de um Oasis a gente supera tudo isso. Por ser um jogo, o ambiente do Oasis é estimulante, desafiador e divertido.”

“A metodologia é baseada nas crenças e princípios do Instituto Elos e estrutura-se nas 7 disciplinas: o Olhar, o Afeto, o Sonho, o Cuidado, o Milagre, a Celebração e a Re-evolução. Neste processo você parte de um olhar para as belezas, apreciando os talentos e os recursos locais de modo a criar um cenário de abundancia e de muitas possibilidades. O Afeto nos estimula a reconhecer as pessoas por trás de cada beleza e a criar relações significativas com empatia e confiança para que possamos sonhar com o melhor mundo. Sonhar mesmo. Utopia. Cuidar desse sonho significa colocá-lo no papel e desenhar a melhor forma de implementá-lo. Juntando os talentos locais, os recursos já disponíveis e almejando o sonho coletivo é hora de realizar. E num desafio de 2 dias o milagre tem que surgir, para depois celebrar e dar o próximo passo, rumo à re-evolução. Tudo acontece de forma intensa e transformadora, a gente acaba criando uma outra realidade dentro do Oasis. É a realidade dos nossos corações, de conexão com as pessoas e com o ambiente que nos cerca. A gente acessa um estado de muita criatividade, muita energia e a inovação sempre surge.”

“Estamos num cenário de conversação global, na qual as pessoas nunca estiveram tão conectadas entre si como estão agora e estão compartilhando suas visões de mundo e seus sonhos. Nas redes que participo, estamos percebendo que nossos sonhos têm algo em comum e que apontam para a felicidade e para a vida em abundância. Ao mesmo tempo, estamos descobrindo que podemos agir colaborativamente e promover mudanças significativas sem o intermédio de grandes organizações.”

“Assim, estou comprometido com a disseminação do Oasis pelo mundo. Junto com um grupo de amigos, estou trabalhando na co-criação de um Oasis Global que convide jovens de todas as partes e culturas a assumirem a responsabilidade de mudança. Será um jogo virtual-real em que cada jogador acessará seu melhor potencial e partirá para os desafios. De uma forma divertida e colaborativa, a idéia é catalisar uma onda global de ações espetaculares, recuperando ambientes, restabelecendo conexões, fortalecendo comunidades e transformando culturas de escassez. Muita coisa legal tem surgido nos últimos meses e há uma infinidade de possibilidades. Estão surgindo iniciativas para a criação de uma plataforma de energia renovável partindo do recurso mais abundante em uma comunidade, iniciativas na área da educação com experiências em universidades e escolas a partir de um modelo de aprendizagem inspirado na metodologia Oasis e o plano da minha comunidade, a minha casa, que será parecida com uma ecovila urbana, independente de petróleo, com espaço para trabalho compartilhado, ambiente prazeroso com artes e atividades que proporcionem conexões, relacionamentos, encontros e inovação. Um lugar onde as pessoas possam ir, experienciar, se inspirar e fazer coisas juntas.”

Transformador

STEVEN BEGGS  é CEO da Seven Idiomas formado em Física, na USP. Estudou também no WPI: Worcester Polytechnic Institute, em Massachusetts. É entusiasta da bicicletada, criador do minhocário da Seven e participante da comunidade CouchSurfing (“surfe de sofá”), através da qual hospedou mais de 100 estrangeiros. Atua ativamente no Projeto Boa Praça dos bairros de Pinheiros e Lapa. Falou sobre física, broncas da mãe e até minhocários.

“Ter estudado física me ajuda na abordagem científica dos problemas e que tudo que fazemos provoca um reação. Se produzimos menos lixo, por exemplo, menos lixo vai para a rua, o caminhão de lixo anda menos carregado, gastando menos combustível, os aterros enchem menos, etc, etc. É uma cadeia enorme. Para mim sempre foi muito claro que na ‘Natureza nada se cria, tudo se transforma’. O que ajuda muito a ter um olhar sustentável para o mundo.”

“Provavelmente [comecei a me envolver com o tema sustentabilidade] quando minha mãe me dava bronca por jogar papel no chão. Ela também ficava muito brava quando via alguém jogando lixo na rua. Ela contava as histórias de como tinham que economzar tudo nos EUA durante a grande recessão americana de 1930 e depois durante a Segunda Guerra Mundial. Me contou até que as garotas desenhavam um alinha preta atrás das pernas para fingir que estavam usando meias de naylon. Tudo isso me marcou muito.”

“É quase sempre ótimo e divertido [conviver com pessoas de culturas diferentes]. É incrível como têm pessoas encarando a vida de maneiras completamente diferentes, por exemplo, trabalhando em ONGs pelo mundo como voluntário, outros passando anos viajando, outros de 20-21 anos se lancando no mundo sem medo. É muito legal sentir que você está ajudando pessoas no mundo a ter uma visão diferente. Mais amigável, de paz, de confiança. Pois é um ato de total confiar no outro receber uma pessoa que você nunca viu na vida, dar as chaves da casa e sair to dia todo para trabalhar sem a menor preocupação!”

“[Tem sido fácil implantar conceitos de sustentabilidade na Seven?] Não é fácil adicionar mais uma coisa para todos pensarmos no dia a dia já tao cheio. O caminho é encontrar pessoas na organização que já se identificam com sustentabilidade e dar espaço para elas. E vejo pequenas mudanças. Minhocas por exemplo já não são um mistério para muitas pessoas. Já vira assunto de conversa. Outros conversam comigo sobre vir trabalhar de bicicleta.”

“[Como foi o processo de colocar sua conscientização em prática no lugar em que mora?] Começou com a cisterna para captar água da chuva e depois a quebadeira total dos pisos dos jardins ao mudarmos para a nossa casa há cinco anos. Depois vieram os amigos morando nos espacos ociosos e a composteira. O uso de lâmpadas PL. O CouchSurfing e mais recentemente o Movimento Boa Praça. [O que você recomendaria que as pessoas fizessem na suas casas?] Minhocário! É simples, barato e produz resultados imediatos mesmo em um partamento pequeno. E provoca um espanto e curiosidade danada nos amigos!”

A ARIANNE BRIANEZI é diretora do Instituto Romã de Vivências com a Natureza, dedica-se a projetos de educação para a sustentabilidade e formação de educadores. É docente da UMAPAZ (Universidade Livre de Meio Ambiente e Cultura de Paz) e especialista em ecoturismo.

“Eu trabalho no Instituto Romã desde o início da ideia, na verdade eu participei da concepção dele, em 2002. O nosso principal foco de atuação é trabalhar com a natureza, a gente sempre desenvolve atividades aliando a natureza com o nosso trabalho, então há muitas vivências com a natureza realizadas em parques urbanos, parques naturais, em qualquer área natural dá para fazer.”

“Nosso trabalho é todo baseado numa metodologia, que se chama Aprendizado Sequencial. Na verdade quem criou essa metodologia foi um norte-americano, um educador, chamado Joseph Cornell. A metodologia, em inglês, se chama Flow Learning.”

“Essa metodologia trabalha, resumidamente, em quatro fases: a primeira é despertar o entusiasmo, a segunda concentrar a atenção, a terceira está ligada à experiência direta e na quarta acontece o compartilhamento da experiência. Com a ideia de que o mundo Ocidental moderno se distanciou da natureza, devido ao processo civilizatório, e agora a gente está procurando uma reaproximação com a natureza. Só que não é fácil, não é só você ir num parque, chegar lá e falar: ‘ah, me reconectei’. Essa metodologia vai devagarzinho te conduzindo a um processo de reconexão. Daí até você se colocar numa relação sujeito-sujeito com os elementos da natureza, não numa relação de sujeito-objeto, com o homem explorando a natureza. A ideia é ficar de igual para igual.”

“A gente desenvolve os mais variados tipos de programas. Temos, por exemplo, a formação de educadores, que é um dos carros chefes do instituto.”

“Toda essa metodologia é baseada em atividades lúdicas. Na fase três, por exemplo, que é o coração do método, temos uma atividade bem conhecida que se chama encontre a árvore. Formamos duplas e uma pessoa da dupla é vendada. Quem está enxergando escolhe uma árvore na floresta, num lugar delimitado, e leva a pessoa vendada até ela, para que haja uma interação com a árvore (sentir o cheiro, passar a mão, sentir as folhas, ter uma conversa…). Depois a pessoa vendada vai para o ponto inicial e tem e que encontrar a árvore.  A maioria das pessoas encontra, a ideia é estimular uma conexão.”

Artista transdisciplinar

Fabio “Woody” é artista plástico e videomaker. É sócio da educadora Anita Prado e do arquiteto Roberto Pompéia na Escola AHA!. Desenvolveu junto a uma equipe transdisciplinar o sistema Eco5, que integra programas criativos de educação a ações de comunicação e sustentabilidade diferenciadas. Entre outros projetos, foi idealizador do prédio Companhia dos Amigos. Para conhecê-lo melhor, leia o que Woody nos contou por e-mail:

“Não cheguei a me formar. Cursei dois anos e meio de artes plásticas e três de publicidade. Mas acredito que paralelamente à academia, o que realmente me moldou como um artista ‘trans’ (transdisciplinar) foi o interesse por tudo, a curiosidade, a possibilidade de ‘subversão positiva’ que há em tudo. Ao contrário de muitos companheiros, penso que a arte é sim muito próxima à política. Nesse sentido penso muito como Joseph Beuys: a arte acontece não somente na ‘obra de arte’ mas também na vida, na história de vida de cada um, na grande escultura social. E o principal endosso que tive nesse sentido foi o processo de coaching pelo qual passei, dez anos atrás, com a educadora Anita Prado. Chama-se Via Aha!, que significa ‘pelo caminho da descoberta’. Para mim, foi um jeito totalmente diferente de aprender e me desenvolver profissionalmente. A identificação foi tamanha que desde 2005 sou sócio dela e do Roberto (Pompéia, arquiteto) na Escola Aha!, e meu sonho de ‘mudar o mundo’ tornou-se nosso cotidiano.”

“O Eco5 é um sistema de gestão sustentável para a construção civil. O que consideramos ‘sustentável’ vai além do ambiental. Trabalhamos toda a questão das relações humanas nas empresas. Integramos processos e equipes em toda a hierarquia, passando da liderança aos técnicos e aos trabalhadores de base.

O maior destaque do sistema Eco5 é sem dúvida o PEIA (Programa de Educação Integral Ahática), orientado aos pedreiros, serventes e mestres de obra. Nele, ocorre tanto a educação formal, com alfabetização e educação continuada, quanto a não-formal, com temas que vão desde o resgate das histórias pessoais de cada um, até educação ambiental, segurança, odontologia, cidadania…”

“Na verdade, olhamos para a educação como algo que não existe somente no confinamento acadêmico. Nossa missão é encontrar novas formas de ensino-aprendizado, que tenham princípios e congracem a vida. E essas novas formas podem estar na cidade, nas relações entre as pessoas. Ao pensar assim, começamos a idealizar o conceito do Companhia dos Amigos como um edifício que educa, no sentido de os vizinhos não dizerem somente ‘oi’ e ‘tchau’ no elevador mas sim perceberem-se integrantes de um bem que é coletivo, uma Comunidade Vertical Urbana.”

“Agora estruturamos melhor essa atuação, que chamamos de Biomarketing, e já temos um novo prédio com um conceito 100% antenado com questões da megalópole contemporânea, como mobilidade, uso inteligente da tecnologia e dos recursos naturais, entre outros. Chama-se Lúmen e será construído pela construtora que é nossa grande parceira, a Obracil. Mas por enquanto é tudo o que posso contar!”

Hub do Hub

A Maria Piza é uma bióloga que resolveu cursar administração de empresas para lidar melhor com seus  projetos sócio-ambientais e hoje trabalha no The Hub, escritório compartilhado e pautado na sustentabilidade das relações. Na última segunda ela conversou um pouco com a gente:

“O meu primeiro pulo do gato foi fazer biologia, o segundo foi largar o mundo corporativo, ir fazer minhas coisas e chegar no The Hub.”

“Desde o colégio já me percebi super ativista. Fui representante de classe, ajudei a fundar o grêmio da escola, queria mudar o uniforme, implantar coleta seletiva, organizava saraus… O meu sonho sempre foi trabalhar com o meio ambiente, mas no sentido de integrar a comunidade e o meio ambiente. Eu entrei na biologia com o objetivo de entender a interação entre o homem e o meio ambiente, buscando uma forma dela ser o mais harmoniosa possível. Daí, quando entrei na faculdade, comecei a fazer alguns projetos de profilaxia de doenças em algumas comunidades,  ia muito para São Vicente, trabalhei muito com ONGs, de cara já me envolvi no Diretório Acadêmico, virei coordenadora de meio ambiente e comecei a fazer vários eventos nessa área.”

“Na biologia eu me encantei muito com essa parte mais política, de mobilização mesmo.”

“Sempre soube desde pequenininha que não vim aqui para cuidar só do meu umbigo, pensei em entrar na política, no Mackenzie cheguei até a ser do DCE (Diretório Central dos Estudantes).”

“O Hub é o setor 2,5 na prática, todo mundo trabalha com o olho brilhando, aqui é o lugar em que convergem todas as redes. Agora eu também tenho que fazer essas conexões acontecerem.”

crédito da foto: Raul Junior http://migre.me/qWoa

Cidadão do mundo

Até dia 25 de março, dia do evento, divulgaremos nesse blog alguns textos sobre os convidados. Cada um deles está sendo entrevistado e, abaixo, você já pode ler trechos da nossa conversa com ARTHUR SIMÕES. Formado em Direito e ex-professor de ioga, ele passou mais de três anos viajando o mundo ao lado da sua bike.

“Como eu estava sozinho, precisava me mesclar nas culturas por uma questão até de sobrevivência. Nunca consegui falar da viagem sem falar de mim, eu era a viagem, a viagem era eu.”

“Às vezes eu não gosto até de falar… Por exemplo, acabei de conhecer alguém, não vou falar: ‘Ah, sim, dei a volta ao mundo de bicicleta’. Numa conversa dessas a pessoa já responderia: ‘Não diga! O mundo inteiro! Mas como assim?’ E geralmente o que acabo escutando é: ‘Mas você queria dizer só na Europa, né?’ E eu falo: ‘Não, os cinco continentes’. ‘Mas como assim? EUA e Europa?’ E daí fica aquela complicação. É por vivermos numa sociedade de valores invertidos, que não valoriza uma pessoa pelo que ela fez e pelo que ela prega, por mais elevados que esses valores que ela divulga, mas pelo que ela tem. E como é lógico, de toda viagem você volta quebrado, as pessoas olham e falam: ‘Pô, esse cara fez algo incrível, mas ele está quebrado, então não o negócio não foi bom’. Agora, se eu tivesse voltado com um milhão de dólares, eu teria convencido muito mais gente, diriam que o segredo da vida é dar a volta ao mundo de bicicleta [risos].”

“Eu posso dizer que em questão de adaptação fiquei bom, viu? Se você cruzou uma fronteira, já sente uma mudança muito grande. E quando voltei para cá vi muita coisa que não tinha mudado muito de lugar. Mais do que isso, eu passei a olhar as coisas de um jeito completamente diferente – pois eu havia mudado de lugar. Passei por países muito mais pobres que o Brasil, com terremotos, furações, mas com uma cultura de respeito e valores mais sedimentados. Daí quando voltei para cá, me perguntei: ‘onde estão os valores dessa minha cultura?’”

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